segunda-feira, 22 de fevereiro de 2010

Quem foi, ponha o dedo no ar

O PGR Pinto Monteiro deu instruções à procuradora Maria José Morgado para abrir um inquérito a fim de se apurar quem facultou à comunicação social os seus despachos no caso das escutas a José Sócrates. Segundo o PGR, só cinco ou seis pessoas conheciam o teor dos despachos. Que é a mesma coisa que dizer: quem foi, ponha o dedo no ar.
Mas acreditemos na saúde do sistema: estando assim circunscrita a investigação, não ficarei surpreendido se, nos próximos dias, houver, não um jardineiro ou um mordomo, mas uma qualquer secretária da Procuradoria a quem foi instaurado um processo disciplinar. Ou - o mais mediático dos desfechos -, um procurador-geral adjunto que, abnegadamente, se demite, a bem da credibilidade do sistema.

sábado, 20 de fevereiro de 2010

Quem corrompe o poder?

Se o poder corrompe, quem corrompe o poder?
A questão ocorre-me por estes dias de intoxicação informativa. O poder não dispensa sujeito nem matéria, só predicados. Retórica barata, dirão. Talvez. Mas, comparada com esta...: "...Essa merda em subsídios de desemprego..."
Não sei se o estado do país suportará decisões precipitadas por imperativos éticos. Mas espero que o país deste Estado já haja estado mais disposto a tolerar estes filhos do carreirismo politíco-partidário, diplomados nas horas vagas em ideias gerais.

quinta-feira, 18 de fevereiro de 2010

Preso por ser ladrão - e por querer pão

Um médico condenado em 2007 por ter lesado o Estado em 4 milhões de euros, através de um esquema fraudelento de falsificação de receitas, foi contratado pelo Ministério da Saúde para dar consultas num centro de saúde de Paços de Ferreira.
A contratação obteve os pareceres positivos da Ordem dos Médicos e dos Serviços Prisionais, que, em homenagem a imperativos de reinserção social (ou de carestia de clínicos, como se queira ler), reconheceram ao clínico a idoneidade para o exercício da medicina - e, por maioria de razão, para os correspondentes actos auxiliares, como sejam emitir receitas ou prescrever a realização de exames clínicos - eventualmente comparticipáveis pela ADSE.
Mas se, como diz o povo, a cavalo dado não se olha o dente, também não se pode ser preso por ter cão e por não ter. Por conseguinte, é, no mínimo, irónico que o clínico esteja a ter problemas entre os seus pares no centro de saúde onde foi colocado - não porque aqueles não lhe reconheçam a idoneidade para o exercício da profissão, mas porque este decidiu fazer uma espécie de duping profissional - prescindiu do subsídio de deslocação atribuído por lei aos clínicos residentes fora da área onde prestam serviço.
E esta, hem?!

quarta-feira, 17 de fevereiro de 2010

Sócrates procura a matilha

É tempo de cerrar fileiras no PS. José Sócrates mandou tocar a reunir no Largo do Rato. Hoje, à hora de almoço, reune com o Secretariado Nacional - o comando do partido; amanhã, ao jantar, com o grupo parlamentar - a guarda avançada; no sábado, pela manhã, com a Comisão Nacional - as cortes internas.
Tudo nos diz que Sócrates não está disposto a abandonar o barco. Ainda assim, está fragilizado, pelo que precisa de perceber até que ponto o partido (ainda) está consigo. É o momento em que a fera procura a matilha.

terça-feira, 16 de fevereiro de 2010

Vice Constâncio

Vítor Constâncio foi eleito para vice do Banco Central Europeu. Uma boa notícia para o sistema financeiro europeu; uma grande notícia para o sistema financeiro nacional.
Nada melhor do que um homem com as diopetrias do ex-Governador do Banco de Portugal para controlar as finanças europeias.

quarta-feira, 3 de fevereiro de 2010

Os três cavaleiros da transparência

Três vice-presidentes do grupo parlamentar do PS - Afonso Candal, Strecht Ribeiro e Mota Andrade - querem que os rendimentos dos portugueses sejam publicitados na internet.
A medida não é inédita no espaço europeu: há muito que foi implementada, por exemplo, na Dinamarca. Mas que pretendem estes três mosqueteiros com tal medida? Incentivar a delação fiscal, como instrumento de combate à fuga ao fisco? Criar um novo nicho de mercado para a imprensa sensacionalista cá do burgo? Vingar-se da "devassa" da vida privada de que o seu venerával patrono Sócrates tem sido vitíma?
Haverão certamente argumentos contra e a favor deste assomo de transparência socialista. Pessoalmente, preocupa-me mais o uso e abuso das câmara de vigilância, dos cartões únicos etc. Mas, com o país (des)envergonhadamente de tanga, dá vontade de perguntar aos três cavaleiros da transparência socialista, porque também não instam o Governo a tornar públicos os contratos que sustentam o Campus da Justiça de Lisboa e todas a negociatas que envolveram a alienação de património na Justiça? Porque não pedem explicações a Sócrates sobre os interesses públicos que fundamentaram o empréstimo que o Governo fará a Angola, em pé de igualdade com o Brasil? Porque não exigem que o Governo se ocupe de "vestir" e não de "travestir" o país? Façam-no, sem constragimentos politico-partidários e depois venham lá então falar-nos de transparência.

terça-feira, 2 de fevereiro de 2010

E assim acontece, Mário Crespo

José Sócrates voltou a ser acusado de tentar silenciar jornalistas. Ao que parece, desta vez, a "vítima" foi Mário Crespo, talvez o nosso melhor pivô televisivo da actualidade.
Segundo se noticía, o jornalista viu não autorizada a publicação duma crónica sua no JN, onde denunciava ter existido pressão do primeiro-ministro, junto de um executivo de televisão, para "resolver" o "problema" que o jornalista vinha constituindo.
Alegadamente por versar factos não comprovados, o director do JN decidiu não publicar a crónica de Mário Crespo.
Por princípio, afigura-se correcta a decisão do director do diário. Não fosse o jornal pertencer ao grupo empresarial que mais ganha com publicidade governamental; e não fosse o facto de Mário Crespo não se ter ficado pela insinuação, mas identificar inequivocamente os visados, dos quais sobressai José Sócrates - o que, em face do crédito profissional de que Mário Crespo se fez merecedor, talvez justificasse uma decisão mais corajosa por parte do director do JN.
É verdade que Mário Crespo não revela, na sua crónica, a identidade do executivo de televisão pressionado - e deveria tê-lo feito. Mas talvez porque, a fazer fé no noticiado pelo i, se trata do director de programas da SIC, Nuno Santos, o jornalista terá optado por não fragilizar um homem forte da casa, que, por civilidade ou auto-preservação, parece ter pecado por omissão no epsiódio.
Ainda assim, atenta a gravidade dos factos e a credibilidade do denunciante, este nunca deveria ter sido censurado. Nem que fosse pelo risco de vir a beneficiar do efeito contrário. Como (quase) sempre acontece.