sexta-feira, 29 de janeiro de 2010

Contrações à la carte

Os concursos para admissão de pessoal na Administração Pública e afins continuam a ser verdadeiros exemplos de criatividade administrativa. Eis um exemplo ilustrativo.
Em 21 do corrente, foi publicado em D.R. (n.º 14, II Série) o Aviso n.º 1368/2010, através do qual o Turismo de Portugal, I.P. publicita a abertura de procedimento concursal para o preenchimento de 7 postos de trabalho da carreira de técnico superior daquele instituto público: 1 vaga para a área funcional de Estudos e Planeamento Estratégico - Centro de Documentação; 2 vagas para área de Qualificação da Oferta - Classificação e Qualidade; 1 para a área de Promoção - Imagem e Conteúdos; 1 para a área de Gestão de Recursos Humanos; 1 para o Gabinete Jurídico; e 1 para o Gabinete Financeiro - Planeamento e Controlo de Gestão.
Até aqui, nada a declarar. Mas o melhor vem a seguir - quando verificamos as habilitações exigidas.
Para a primeira área funcional (Planeamento Estratégico-Centro de Documentação), é requisito a titularidade de licenciatura em História, o que, atendendo aos conteúdos funcionais (tratamento e conservação de património documental etc.) , até se aceita. Mas a originalidade entra a seguir.
Para a área de Qualificação e Oferta, cujo o conteúdo funcional compreende o licenciamento e autorização de empreendimentos turísticos e a realização de vistorias, exige-se a indispensável licenciatura em... Línguas e Literaturas ou em Publicidade e Marketing!
Por sua vez, para a área de Promoção - Imagem e Conteúdos requer-se, não a licenciatura em Marketing e Publicidade, mas em Organização e Gestão Turística - o que se compreende quando se pretende alguém habilitado para trabalhar em promoção turística, captar eventos internacionais ou trabalhar em edição de portais de turismo...
Já para a área de Recursos Humanos, pretendendo-se alguém capaz para produzir informação técnica sobre gestão de recursos humanos, designadamente sobre carreiras e vínculos, com conhecimentos de legislação laboral, outra coisa não seria de esperar que não fosse um licenciado... em História!
Mas há mais.
Se até se acertou no perfil académico desejado para o Gabinete Jurídico, para o qual se pede um Solicitador, para encerrar com chave de ouro o anedotário, requere-se para a área de Planeamento e Controlo de Gestão, um licenciado em Relações Internacionais com conhecimentos técnicos ao nível dos procedimentos de controlo de fluxos financeiros.
Apetece acrescentar que, para a cozinha do refeitório do instituto, talvez devessem exigir um(a) licenciado(a) em Matemáticas Aplicadas à Meteorologia, com conhecimentos técnicos na gestão de procedimentos de controlo à produção de papel.

quinta-feira, 21 de janeiro de 2010

Sá Pinto - outra vez

Sá "Coração de Leão" Pinto não consegue conter a sua aparentemente irreprimível vocação para os desportos de combate. Ao que se notícia, ontem deu-lhe para trocar uns uper cuts com o "Levezinho", depois do jogo (sofrido) com o Mafra.
Desconhecem-se ainda as razões do desentendimento entre o Director Desportivo demissionário e o ponta de lança, mas parece-me evidente a inadmissibilidade da atitude de Sá Pinto.
Enquanto sportinguista, não discuto a raça e o valor do ex-médio leonino: este integra o lote dos que mais súor destilaram em Alvalade. Tais pergaminhos não podem porém esconder um traço de carácter que muito contribuiu para ensombrar o brilho dalguns momentos do jogador. E se a isto adicionarmos as especiais responsabilidades que sobre si recaíam enquanto dirigente, resta-nos lamentar o descrédito a que este se vem votando, quando agora se propunha iniciar uma nova carreira como gestor desportivo.

quarta-feira, 13 de janeiro de 2010

Patrão Sócrates

Entre 26 de Outubro e 19 de Novembro de 2009, José Sócrates nomeou e exonerou duas adjuntas e uma secretária. Atentemos nos pormenores:
- Pelo Despacho n.º 26368/2009, de 4/11, nomeou, com efeitos a partir de 26/10, a licenciada Sílvia Esteves, para exercer, em comissão de serviço, através de requisição feita à empresa LPM-Comunicação, Lda. (nome não é estranho pois não?), as funções de adjunta.
- Pelo subsequente Despacho n.º 26369/2009, igualmente de 4/11, o primeiro-ministro exonerou, alegadamente a seu (dela) pedido, a adjunta nomeada a...4/11, com efeitos a partir de 30/11.
- Igualmente para produzir efeitos a partir de 26/10, o mesmo primeiro-ministro nomeou, pelo Desapcho n.º 26370, também de 4/11, a licenciada Paula Ferreira, para exercer funções, também em comissão de serviço, de secretária pessoal do seu Gabinete.
- Para produzir efeitos a partir de 30/10, em...4/11 é também publicado - adivinhem! - o Despacho n.º 26371/2009, através do qual o José Sócrates exonera, a pedido daquela, e não sem evidenciar a forma extremamente leal, competente e dedicada como esta desempenhou (durante 4 dias?!) as suas funções, a secretária pessoal nomeada a...4/11, com efeitos a partir de 26/10.
Extraordinário, não é? Mas ainda não ficamos por aqui.
- Também em 4/11, é públicado o Despacho n.º 26372/2009, através do qual o nosso primeiro nomeia a licenciada Teresa Pina (sim, essa mesmo, da SIC) para sua adjunta, com efeitos a partir de 1/12.
Confesso que já não tive coragem para ir verificar se isto teve continuação. Mas, das duas uma: ou Sócrates está a implementar o "contrato de quatro dias" no seu Gabinete, contribuindo assim para a política governamental de combate ao desemprego, ou quatro dias foi o máximo que estas senhoras suportaram depois de conhecerem, profissionalmente, o ex-animal feroz da política lusa.

quarta-feira, 30 de dezembro de 2009

O ano em que não

Depois dum longo interregno, talvez imbuído da atmosfera esperançosa da quadra, eis-me de volta à actividade bloguística.
E volto para dar conta a quem tenha a paciência de ler o que para aqui vou depositando de que esta ano é que é!
2010 vai ser o ano em que não veremos o Governo Sócrates a cair; vai ser o ano em que não veremos o valor real dos salários a aumentar; vai ser o ano em que não teremos os impostos a diminuir; vai ser o ano em não sentiremos os preços reduzir; e vai ser o ano em que não daremos um Cavaco para ter um Presidente Alegre na Presidência sempre rugir.
Ânimo portugueses, que este ano é que (não) é!

quarta-feira, 30 de setembro de 2009

O Presidente falou

Cavaco Silva falou ontem à comunicação social (ou ao país?). Com a sua natural solenidade e gravidade, manifestou a sua indignação com algumas figuras destacadas do "partido do Governo" que lhe haviam perturbado as férias algarvias, desafiando-o insolentemente a prenunciar-se sobre as actividades extra-assessoria dalguns dos seus assessores.
Sobre escutas e o afastamento de Fernando Lima disse que tudo não passou de uma tentativa de o "colar" ao PSD, pelo que, à cautela, resolveu colocar o seu assessor de imprensa de sempre no backoffice.
Ah, e informou também que se havia inteirado junto de diversas entidades da inviolabilidade do seu computador pessoal, tendo sido informado que nenhum sistema informático é absolutamente seguro...
E foi tudo.
Bem espremido, pouco ou nada se retira do que disse o Presidente da República. Fica pois a dúvida. A dúvida sobre se o Presidente alguma vez suspeitou de facto que algum dos serviços de informações sob tutela do Governo andava a escutar a Presidência ou a penetrar no seu sistema informático. A dúvida sobre se o seu principal assessor contactou ou não o director do Público para através deste denunciar que o Governo andava a espiar o Presidente, e se o fez por sua livre iniciativa ou a mando do Presidente.
Mas com estas dúvidas dorme o povo bem. O que lhe poderá perturbar o sono - porque lhe poderá perturbar a vida - é o instalado clima de guerrilha entre os dois principais órgãos de soberania do país. Ontem assumido pelo Presidente da República e retorquido pelo porta-voz do Governo - cessante e futuro.

terça-feira, 29 de setembro de 2009

Manuela Ferreira Leite II

No post anterior escrevi que nenhum dos déficites políticos da líder do PSD seriam suficientemente fortes para lhe garantirem a derrota nas legislativas. Ignorava eu (e a própria, certamente) o "factor Cavaco Silva". É que, a meu ver, foi de facto a péssima gestão política do "caso das escutas" feita pelo PR que contribuiu definitivamente para o mau resultado do PSD. Pois não seria de prever que, depois das suspeitas caídas sobre o Governo, muito sustentadas pelo silêncio da Presidência, o afastamento de Fernando Lima não seria interpretado pelo comum dos cidadãos como o reconhecimento pelo PR de tudo não ter passado de um boato? E, assim sendo, que era alguém da Presidência que andara a tentar tramar Sócrates?
Especulação, prognose póstuma ou não, aí está o resultado.

quinta-feira, 17 de setembro de 2009

Manuel Ferreira Leite

Ignoro - felizmente - o que deverá a Dr.ª Manuela Ferreira Leite a António Preto e Helena Lopes da Costa. Mas o que deve - pois só alguém gravemente endividado se obstina na defesa de tão "corrosivos" apoiantes - ainda não será suficiente para lhe custar um mau resultado nas legislativas. Confuso? De maneira nenhuma.
É que são precisamente as fraquezas e fragilidades políticas da líder do PSD - o permanente ar de frete que põe nas suas intervenções públicas, a consfrangedora falta de jeito para o jogo político etc. - que lhe garantem o capital de credibilidade política (à semelhança de Cavaco Silva - lembram-se da cena da boca cheia de bolo-rei?) suficiente para ombrear com José Sócrates. Goste-se ou não.
Estou convencido que nem a notícia de que Manuela Ferreira Leite era afinal Manuel Ferreira Leite seria bastante para fazer os portugueses olharem com outros olhos para a líder do PSD. Não faltaria até quem, incapaz de admitir-se supreendido com a notícia, diria: " Eu sempre disse que era uma mulher com tomates!"