segunda-feira, 8 de junho de 2009

Ganharam todos

No campeonato da europeias afinal ganharam todos - menos Sócrates.
A meu ver, o primeiro-ministro perdeu duplamente: perdeu porque era inevitável que este primeiro acto eleitoral servisse para punir o Governo; e perdeu porque não teve a humildade necessária para admitir essa possibilidade.
Mas talvez não venha a perder muito mais do que perdeu. Ou muito me engano ou nas autárquicas o castigo tenderá a ser mais brando. E uma vez chegados às legislativas, na hora de escolher entre Sócrates e Ferreira Leite, o povo limitar-se-á a encurtar a rédea ao primeiro e a a apontar a reforma à segunda - que seguramente agradecerá o gesto.

segunda-feira, 1 de junho de 2009

(Falsa) bomba procura enredo

Esta manhã, alguém abandonou um saco suspeito no Atendimento das instalações do Banco de Portugal da Av. Almirante Reis. À cautela, o edifício foi evacuado ao início da tarde pela PSP.
Os apreciadores (como eu) dos enredos policiais, talvez não resistam a ler o episódio como um acto desesperado de um qualquer investidor do BPN ou BPP contra a entidade (pseudo)reguladora do sistema financeiro português. No entanto, quem conhecer a localização das instatalações do BP em questão, talvez possa ali ver (ou delirar) outra história. É que a cinquenta metros do edifício em questão fica o Conselho Distrital de Lisboa da Ordem dos Advogados...

quinta-feira, 28 de maio de 2009

O juiz literário

Ao que parece, o juiz que decidiu devolver a menina russa à sua mãe biológica, retirando-a à família portuguesa de acolhimento, está arrependido. Arrependido não pela manifesta iniquidade da sentença que produziu, e que possibilitou a entrega de uma criança anteriormente considerada em perigo a uma mãe incapaz, mas porque, se fosse hoje, se tivesse hoje que decidir entre manter uma criança com uma família de acolhimento e entregá-la a uma mãe emocional e economicamente destituída de condições para a manter, não teria cometido "alguns excessos de linguagem" na redacção da sentença, como sejam utilizar expressões como "mãe serôdia".
Em consciência, ninguém questionará a imperativa vinculação do juiz à lei; por muito que doa a muitas famílias de acolhimento, o seu papel é, necessariamente, transitório, pelo que, não será sustentável, à luz das normas em vigor, presumir-se que tal estatuto poderá, com o tempo, converter-se em privilégio de adopção. No entanto, longe vão os tempos (ou assim desejamos) em que se exigia ao juiz que se limitasse a aplicar a lei, passiva e cegamente. Num Estado de Direito democrático, antes se pretende que este seja um intérprete sabedor da lei aplicável ao caso concreto, a quem se exige que atendenda a todos os factos e circunstâncias juridicamente atendíveis para a justa decisão da causa.
Ao que parece porém, o juiz deste caso, um esteta da linguagem, anda equivocado. A sua vocação não é o Direito, mas talvez a literatura.

sexta-feira, 22 de maio de 2009

A pia Catalina

Se fosse ministra, Catalina Pestana acabava com a Casa Pia. É a própria ex-directora e provedora da instituição quem o afirma, em entrevista ao Correio da Manhã.
Segundo esta ex-responsável da instituição, "Os abusos continuam numa instituição com 200 anos, com uma história de abusos que tem 200 anos".
Das duas, uma: ou Catalina Pestana andou de pestana fechada durante ao anos em que foi directora dum colégio da Casa Pia - que, a atender ao tremendismo das suas palavras talvez devesse designar-se Casa dos Horrores -, ou então anda à procura de alguma coisa de que porventura se convenceu ter perdido.
Seja como fôr, não deixa de ser espantoso o alheamento (voluntário ou involuntário, negligente ou doloso) que parece caracterizar muitas das personagens que de uma forma ou outra tiveram cargos de responsabilidade naquela instituição bicentenária. É que se é hoje um facto vergonhosamente indesmentível que a Casa Pia foi uma casa de xius, não é menos vergonhoso e indesmentível que foi também uma casa de pios.

quinta-feira, 21 de maio de 2009

A (falta de) resposta de Espinho

Maria de Lurdes Rodrigues acha que "não houve resposta pronta" para o caso "execepcional", de "grande desiquilibrio" da stôra de Espinho.
Temos de admitir que tem razão.
Com efeito, a conhecermos como conhecemos, dum passado recente, a capacidade de resposta de boa parte dos nossos adolescentes ao desempenho dos professores na sala de aula (e fora dela), é de facto espantoso como é que aquela "professora" (com aspas duplas, ou triplas) não mereceu uma reacção mais participativa por parte daquela tão extraordinariamente passiva turma. É que, afinal, não é todos os dias - presumo eu - que os nossos jovens ouvem uma professora sua dissertar sobre "linguados" ou cuequinhas molhadas pela manhã; principalmente quando era suposto que, em matéria de educação sexual, as competências da "professora" em questão só lhe permitissem discorrer sobre os trágicos amores de El-Rei D. Pedro e Dona Inês de Castro.

segunda-feira, 11 de maio de 2009

Os bairros deste país

Há tempos, confrontado com outro episódio da vida num bairro social, o ministro Rui Pereira viu-se obrigado a garantir que não existem bairros neste país onde a polícia não entre. Face aos acontecimentos destes últimos dias (e noites) no Bairro da Boa Vista, em Setúbal, ou muito me engano ou não tardará a vermos e ouvirmos o mesmo ministro a garantir que também não existem bairros neste país onde os bombeiros não queiram entrar...

Ainda os cartazes

O marketing político luso anda manifestamente fraco de imaginação. A líder do PSD anda espalhada pela cidade ora emoldurada a negro ora a convidar os desvalidos e amargurados deste país a ligarem para uma espécie de linha de apoio psicológico. O PS, certamente convencido pelo hobbie fotográfico do seu cabeça de lista às europeias, oferece-nos um mega-postal de Vital Moreira (esse mesmo, o avô cantigas) assinado e tudo. E o CDS/PP pespaga-nos o infante Nuno Melo, em pose desafiante, quase tauromáquica, a afiançar-nos que não andam a brincar aos políticos. Valha-nos o BE que, sabendo que a política nacional é essencialmente uma brincadeira, lá vai gozando o pratinho, e, à cautela, antes de exibir a careca de Miguel Portas e o sorriso eclesiástico de Louçã, teve, pelo menos, a piada de nos lembrar o abraço de Barroso e Sócrates no dia do porreiro, pá!