segunda-feira, 15 de dezembro de 2008

O ginasta Alegre

Manuel Alegre bem que insiste na espargata política, mas a idade (e o ego) não perdoam. Um homem político pode andar a enganar meia esquerda todo o tempo; e até pode conseguir enganar toda a esquerda durante algum tempo; mas não consegue enganar toda a esquerda durante todo o tempo. É uma questão de pernas, e dos seus limites de elasticidade.
Alegre tem fama de ter sido um bom nadador e um razoável caçador. Mas a ginástica dos ideais não é o seu forte: a espessura da sua personagem ética pura e simplesmente não apresenta a "flexibilidade" da política do séc. XXI.
Tem de se decidir. Vai daí, não tarda teremos um novo movimento político por si liderado. Mesmo que não seja um "santo milagreiro", nem seja ele a defender a insurreição.

Um sapato para Bush

Um "patriota" iraquiano atirou um dos seus sapatos ao (ainda) presidente Bush, durante uma conferência de imprensa em Bagdad. Segundo o site noticioso Portugal Diário, que cita um alegado amigo do "patriota" semi-descalço, nada fazia prever tal gesto. À cautela, cem advogados iraquianos já se ofereceram para defender o "atirador".
A meu ver, ninguém percebeu o gesto. Não se tratou de um acto violento, mas de um autêntico gesto simbólico de generosidade. Obrigado a coabitar com o astro Obama, Bush parece arrastar-se no plateau mundial, qual estrela-bufa em declínio, vai daí, uma boa alma iraquiana decide presenteá-lo com uma das poucas coisas que a campanha contra o Eixo-do-Mal permitiu aos iraquianos conservar: um par de sapatos.

quinta-feira, 11 de dezembro de 2008

O anti-absentista e os manequins

A balda geral de cerca de três dezenas de deputados social-democratas, no dia da votação da suspensão do processo de avaliação dos professores indignou, em directo na Rádio Clube Português, o ex-líder parlamentar do PSD Guilherme Silva. "Não há nada que «justifique a irresponsabilidade de uma ausência e de uma ausência num momento relevante», sentenciou. E disse mais: «Quem está desmotivado e não se sente capaz de exercer o mandato com o grau de responsabilidade à altura do estatuto deste cargo, simplesmente pede a substituição».
Questionado, nos corredores do Parlamento, por jornalistas da TVI, sobre o assunto, o mesmo Guilherme Silva aventou que há muito defende a não realização de sessões plenários à sexta-feira, já para obstar a que os senhores deputados cedam à tentação de apressar o seu retorno semanal às suas famílias...
Melhor solução que esta, realmente, só se instituirem o tele-trabalho na Assembleia, e mesmo assim, suponho que não faltariam deputados dispostos a pespegar um manequim de montra em seu lugar, em frente ao écran. Com o que só teriamos a ganhar, dado o conhecido dinamismo daquelas peças de vitrine...

O tempo de Ferreira Leite

A propósito da correcção efectuada pelo ministro das Finanças às previsões do défice orçamental (que afinal já pode ser de 3%, e não 2,2%), Manuela Ferreira Leite veio acusar o Governo de "fazer política fora do tempo" - o que não deixa de ser curioso, vindo de quem não costuma falar e quando fala, fá-lo invariavelmente ou fora do tempo ou revelando total desconhecimento do nosso tempo.
Enfim, é sabido que a Dr.ª Ferreira Leite não gosta (nem sabe) de falar, mas, ao que parece, anda a aprender. Daí talvez que já se queixe por Sócrates não a ter ouvido numa matéria de particular relevo nacional, como a possibilidade do país vir a acolher ex-prisioneiros de Guantánamo.
Mas não alimentemos por isso demasiadas expectativas sobre a capacidade de intervenção da líder do PSD. É que, a senhora quer falar, mas, preferencialmente, em uníssono com os restantes líderes parlamentares. Pois alguém está a ver a Dr.ª Ferreira Leite, sózinha com Sócrates, numa sala de S. Bento, a fazer conversa de circunstância sobre Guantánamo?!

sábado, 29 de novembro de 2008

Economia à portuguesa

À semelhança de outras ciências especulativas, a economia é conhecida pelas suas mais diversas e originais teorias e princípios. Da teoria keynesiana à teoria dos jogos há teses e princípios para todos os gostos e interesses (e governos).
Nesta matéria, como em muitas outras, Portugal não tem sido pródigo em contributos para a ciência económica. No entanto, ao que parece, uns quantos, modestíssimos e anónimos, empresários nacionais decidiram dar provas de que teorias leva-as o vento, cá seguimos a escola do salve-se quem puder, corolário do princípio do antes tu do que eu.
Primeiro foi a conhecida pastelaria Lua de Mel: antes que o barco afundasse de vez, os sócios decidiram fechar portas. Esqueceram-se foi de avisar os empregados...Agora foi a babel Byblos, mega-livraria às Amoreiras. Aparentemente, de um dia para o outro, faliu e fechou portas, sem dar cavaco às tropas letradas e iletradas.
Enfim, é a chamada economia à portuguesa.

segunda-feira, 10 de novembro de 2008

Isaltino 1, 2, 3

A Câmara de Oeiras distribuiu viaturas de serviço a 114 funcionários do município.
Isaltino Morais já era conhecido por ser um dos autarcas mais prestativos do país, mas agora, a distribuir automóveis desta maneira bem que a RTP o pode convidar para substituir Carlos Cruz numa nova série do 1, 2, 3!.

segunda-feira, 3 de novembro de 2008

Uma questão de lentes

Trinta anos depois do PREC e voltamos a ter um banco nacionalizado. Nacionalizado pelo mesmo Governo que não pode interferir nas regras de mercado, para moralizar o preço dos combustíveis. Nacionalizado pelo mesmo Governo que, conformado com os "danos colaterais" da globalização económica, não pode intervir nos processos de deslocalização empresarial, que tantas centenas de trabalhadores deixaram no desemprego. Demagogia! bradará o Governo. Talvez....A demagogia é como as doenças da visão: é tudo uma questão de lentes.