sábado, 29 de novembro de 2008

Economia à portuguesa

À semelhança de outras ciências especulativas, a economia é conhecida pelas suas mais diversas e originais teorias e princípios. Da teoria keynesiana à teoria dos jogos há teses e princípios para todos os gostos e interesses (e governos).
Nesta matéria, como em muitas outras, Portugal não tem sido pródigo em contributos para a ciência económica. No entanto, ao que parece, uns quantos, modestíssimos e anónimos, empresários nacionais decidiram dar provas de que teorias leva-as o vento, cá seguimos a escola do salve-se quem puder, corolário do princípio do antes tu do que eu.
Primeiro foi a conhecida pastelaria Lua de Mel: antes que o barco afundasse de vez, os sócios decidiram fechar portas. Esqueceram-se foi de avisar os empregados...Agora foi a babel Byblos, mega-livraria às Amoreiras. Aparentemente, de um dia para o outro, faliu e fechou portas, sem dar cavaco às tropas letradas e iletradas.
Enfim, é a chamada economia à portuguesa.

segunda-feira, 10 de novembro de 2008

Isaltino 1, 2, 3

A Câmara de Oeiras distribuiu viaturas de serviço a 114 funcionários do município.
Isaltino Morais já era conhecido por ser um dos autarcas mais prestativos do país, mas agora, a distribuir automóveis desta maneira bem que a RTP o pode convidar para substituir Carlos Cruz numa nova série do 1, 2, 3!.

segunda-feira, 3 de novembro de 2008

Uma questão de lentes

Trinta anos depois do PREC e voltamos a ter um banco nacionalizado. Nacionalizado pelo mesmo Governo que não pode interferir nas regras de mercado, para moralizar o preço dos combustíveis. Nacionalizado pelo mesmo Governo que, conformado com os "danos colaterais" da globalização económica, não pode intervir nos processos de deslocalização empresarial, que tantas centenas de trabalhadores deixaram no desemprego. Demagogia! bradará o Governo. Talvez....A demagogia é como as doenças da visão: é tudo uma questão de lentes.

sexta-feira, 31 de outubro de 2008

Voto McCain

Gosto de McCain. Porque se Obama inspira, McCain transpira. Se Obama representa, McCain encarna. E porque se Obama tem um sonho, McCain tem a realidade. Posto assim, nestes termos de comparação, talvez ambos mereçam a nossa admiração. Mas talvez seja esta a dolorosa diferença entre os candidatos americanos e os putativos candidatos nacionais: lá a dificuldade está na escolha do melhor, do mais inspirador e representativo. Cá, a escolha é, quase sempre, a do mal menor. Ou como dizia uma minha antiga colega de escola: o do menos pior.

Um novo Kennedy ou um Kennedy novo?

Segundo se escreve e diz, Barak Obama vai ser um novo Kennedy.
Inegavelmente, o candidato à presidência norte-americana tem carisma (e uma mulher politicamente empenhada a seu lado) , sabe como inspirar um mundo carente de ideais e o que representa para todos os excluídos, preteridos e banidos da América. Mas daí a ser um novo Kennedy... Quando muito, Obama será um Kennedy novo: um JFK sem Marilyn nem Fidel Castro, mas pronto para sentar Ahmadinejad e Kim Il-Sung (e Bin Laden?) à sua mesa.

sábado, 25 de outubro de 2008

O dr. Rangel e os (não) direitos dos animais

Na opinião do líder parlamentar do PSD, Paulo Rangel, os animais em geral e o seu cão em particular não são merecedores da titularidade de direitos porque não sabemos o que sentem ou, até, se sentem alguma coisa.
A avaliar pela simplicidade do raciocínio e ninguém diria que o dr. Rangel é tido por ser um dos mais brilhantes jovens juristas portugueses.
Não sei se o jurista Rangel usa na sua actividade de jurisconsulto da mesma lógica da batata, mas sei que, perante a tacanhez e a obtusidade de espírito revelada na sua entrevista desta semana ao Sol, prefiro não saber o que pensa o dr. Rangel do reconhecimento hoje praticamente universal dos direitos dos menores, afinal, ainda hoje não se sabe, por exemplo, o que sente ou como sente uma criança de dois anos...Ou o que pensa da Constituição garantir aos incapazes e até aos interditos o direito à vida, à integridade física..., afinal, nunca se sabe o que vai na cabeça dum demente, dum doente mental profundo...

quinta-feira, 9 de outubro de 2008

Demofobia

Já se conhecia a vocação (pseudo) fracturante-recalcitrante do Bloco; e, apesar da sua invisibilidade política, toda a gente já reparou na rapariga simpática e no hippie de rabo de cavalo que constituem o grupo parlamentar dos Verdes. O que até aqui se desconhecia era o pavor à democracia que estas formações partidárias revelaram com a apresentação das propostas de regulamentação do casamento homossexual no momento de crise que vivemos. Mais do que evidenciar oportunismo político - pois é disso que se trata quando grupos políticos com representação minoritária na sociedade portuguesa tentam fazer aprovar na secretaria parlamentar aquilo que sabem de antemão que nunca ganhariam no debate público -, a jogada do BE e dos Verdes revela sobretudo a (verdadeira) natureza anti-democrática, demófoba, dos partidos em questão.