terça-feira, 9 de setembro de 2008

Pensionistas de 1ª e de 2ª

Segundo o Correio da Manhã, está imparável o número de aposentações milionárias na Função Pública. Mas ao contrário do que seria expectável, nesta última leva, os destaques vão para dois quadros dos CTT. O inspector-geral da empresa pública vai começar a receber, já a partir de Outubro, € 8.093, e um "especialista em organização" da empresa vai tocar-lhe € 6.109.
Por sua vez, em Braga, um erro na impressão de vales de reforma da responsabilidade duma empresa subsidiária dos CTT, mantém, há duas semanas, 198 pensionistas na desesperada expectativa que o carteiro deposite na sua caixa do correio o seu modesto vale de reforma...
Desconhece-se o que o "especialista em organização" recém aposentado da empresa pensa sobre o incidente; mas tenho impressão que, nesta altura, deve andar mais preocupado a fazer planos para gozar a reforma.

RedBull II: rectificação

Depois de ler ontem o balanço rejubilatório que Rui Rio faz do evento RedBull Air Race, devo lavrar aqui a seguinte rectificação: o apoio financeiro que a Câmara do Porto atribuiu à organização da prova atingiu os € 400 mil, e não € 200 mil conforme referi em post anterior. Mas acalmem-se os miserabilistas defensores da racionalidade económica: segundo o autarca, que mandou fazer estudos de impacto económico (e ambiental?) sobre o evento, a prova garante um retorno económico directo entre 17 e 23 milhões de euros.
Os mercados municipais e os equipamentos culturais do município do Porto agradecem...

segunda-feira, 8 de setembro de 2008

RedBull deu asas a € 900 mil

A prova RedBull Air Race, que se realizou este fim-de-semana no Douro, deve ser declarada o evento do ano em Portugal. Para além de conseguir a relativa proeza de pôr mais de 650 mil portugueses a olhar para o céu - o que é digno de registo, mesmo num país onde toda a gente anda de cabeça no ar (mesmo quando conduz) e a assobiar para o lado -, proporcionou um extraordinário episódio de sintonia política entre um dos mais verberados ministros socialistas - Manuel Pinho - e uma das mais verberantes figuras social-democratas, o autarca Rui Rio.
Num momento político em que a líder do PSD acusa o Governo de nos andar a distrair é delicioso ver Rui Rio, autarca conhecido (e assumido) pela intransigência da sua política de austeridade financeira (aquele que não tem dinheiro para manter teatros municipais nem para reabilitar o mercado do Bulhão), fazer a apologia de investimentos públicos como o efectuado naquele evento aéreo. Afinal, conforme disse o autarca, há que pôr as pessoas "contentes e animadas", e depois, que são 900 mil euros (500 mil do Governo (através do Instituto do Turismo), € 200 mil da Câmara do Porto e € 200 mil da Câmara de Gaia) para pôr malta, um fim-de-semana, a emborcar imperiais na Ribeira do Porto, enquanto vê os aviões passar?
É caso para dizer que, este fim-de-semana, RedBull deu asas a € 900 mil do erário público central e municipal, e a uns quantos bonecos políticos nacionais.
E como, à semelhança de outras bebidas, RedBull primeiro estranha-se, depois entranha-se, o ministro Pinho já prometeu que para o ano há mais.

domingo, 7 de setembro de 2008

Uma mulher zangada

Manuela Ferreira Leite é uma mulher zangada com o país. Zangada com o Governo, que anda a "enganar-nos ou distrair-nos"; zangada com o seu partido, que não se conforma com o seu perfil monolítico; e, acima de tudo, zangada com a sua consciência, que a obrigou a abandonar a tranquilidade da aposentação senatorial para a jogar na arena político-partidária.

quinta-feira, 4 de setembro de 2008

A cadeira de Portas

Paulo Portas lembra-me aqueles miúdos intelectualmente precoces cuja impertinência e egocentrismo vai afastando todos aqueles que, uma vez atraídos pelo seu brilhantismo, se foram vendo consumidos pelas radiações do seu carisma.
Líder dum partido criado e recriado (n) à sombra da sua imagem e das suas pretensões políticas, Portas recusa admitir que o seu partido é ele, dois ou três indefectíveis menores e a bela e doce Teresa Caeiro, que, manifestmente, merecia mais do que fazer o papel de bela e inteligente do partido.
Depois de ter tirado o tapete a Manuel Monteiro, de ter querido "apagar" a figura de Freitas do Amaral da história do partido (em que entrou pela porta das traseiras) e de ter eliminado os potenciais concorrentes Maria José Nogueira Pinto e Pires de Lima, soube-se agora que há um ano que secara a paciência (e o ego) de Nobres Guedes. Consciente dos danos provocados por mais esta desistência, tentou abafar a notícia, interna e externamente, e veio a público "limpar as mãos à parede".
Portas é, definitivamente, um líder cada vez mais só; vejamos agora até onde vai o seu egocentrismo. Vai sair pelo seu pé (e, desta feita, com os dois pés) ou vai resistir até cair da cadeira?

quarta-feira, 3 de setembro de 2008

Não compensa assaltar bombas de gasolina?

Não compensa assaltar bombas de gasolina. Não é a minha experiência pessoal que o afirma, sublinhe-se, mas o presidente da associação dos armazenistas e revendedores de combustíveis (ANAREC). Segundo o homem da ANAREC, Augusto Cymbrom, assaltar estações de abastecimento não compensa porque "têm muito pouco dinheiro disponível". Pelo que, caros assaltantes, aconselha ele, "deixem de assaltar e vão trabalhar que é melhor."
Não sei porquê, suspeito que a vilanagem nacional não estará particularmente receptiva ao conselho desesperado do líder associativo, mas, eu cá, se fosse profissional do sector, não desdenharia de tal sugestão. É que parece, segundo o Público, que o MAI vai alargar a mais 1000 postos de combustíveis, o programa "Abastecimento Seguro", o que, segundo o expressionista José Magalhães, vai possibilitar "sentar os operadores principais de segurança privada no (...) grupo de trabalho. (...) o que permitirá "somar ao trabalho da polícia a sinergia da segurança privada."
Assim, meus caros profissionais do assalto a bombas de gasolina, talvez seja melhor pensarem em mudarem de ramo de actividade. Ou, então, sindicalizem-se!, e reivindiquem, na vossa qualidade de operadores principais de insegurança pública, assento no grupo de trabalho de José Magalhães.
Mas, vendo bem as coisas, o Governo jogou bem. Não podendo nem devendo financiar os riscos inerentes à actividade empresarial dos revendedores de combustíveis e não querendo, ainda assim, melindrar esta sector do empresariado-financiador eleitoral nacional, nada melhor que, exibindo atenção e empenhamento e não comprometendo um cêntimo do erário público, promover uns quantos programas e protocolos, abrindo novos horizontes de negócio para o sector da segurança privada.
É caso para dizer: porreiro, Sócrates!

terça-feira, 2 de setembro de 2008

Educação no desemprego

Segundo a FENPROF, este ano serão cerca de 40 mil os professores no desemprego. De acordo com o ministério da Educação tal número não corresponde à realidade, dado não ser este o número de docentes inscritos nos centros de emprego.
Obviamente, a FENPROF contesta o critério ministerial, alegando que grande parte dos professores desempregados não reúnem os requisitos para aceder ao subsídio de desemprego, pois trata-se de casos de licenciados que nunca fizeram descontos para a segurança social, nunca tiveram qualquer contrato de trabalho (pelo que se justifica perguntar se alguma vez exerceram a profissão) ou então foram professores precários, contratados a "recibo verde". E, por outro lado, diz ainda a federação dos professores, para demonstrar a malévola intencionalidade da tutela, foram muitos os docentes que se aposentaram, pelo que não assiste assim ao ministério qualquer razão para a não integração nos quadros públicos de mais professores.
Como demonstração da inexistência de qualquer preconceito da minha parte relativamente à FENPROF, devo dizer que concordo não constituir argumento intelectualmente sério, por parte do ministério, a invocação do número de professores inscritos nos centros de desemprego. Ter-se como certos e seguros os números divulgados pelo IEFP, seria tão consequente como recorrer à Casa do Douro para apurar a taxa de sinistralidade rodoviária.
Todavia, também não é política nem intelectualmente sério, continuar a exigir a integração de mais professores nos quadros públicos, com o demagógico argumento de que estes iriam substituir docentes entretanto aposentados, quando se conhecem os baixíssimos números da natalidade em Portugal e a sua consequente repercussão na determinação das necessidades reais do país.
Se a sofística ministerial é uma degenerescência da (boa) prática política, a demagogia é um pecado venal do sindicalismo moderno.