terça-feira, 13 de maio de 2008

Onde está o Sá Fernandes?

Alguém viu ou ouviu por aí o Sá Fernandes? O do caso Camarate? Não, o mano. O cavaleiro das causas urbanísticas, o arauto da moralidade camarária, o homem do Túnel do Marquês. É vereador do pelouro dos Espaços Verdes na CML. Ah é, o homem converteu-se à jardinagem, foi? Mais ou menos. É uma espécie de retiro bucólico do guerreiro. Com o brilhante patrocínio de António Costa.

Sócrates em Caracas

O nosso primeiro está em Caracas, em visita oficial a Chávez. Como de costume, vai extensamente acompanhado: 80 empresários, 3 ministros e uns quantos secretários de Estado. A atender aos números da comitiva, prevê-se uma verdadeira maratona - não negocial, como é óbvio (tirando a estafada hospitalidade lusa, Sócrates terá pouco, muito pouco a oferecer a Chávez, em troca do seu ouro negro), mas desportiva, ao melhor estilo LeCoqSportif socrático - pelas avenidas de Caracas.
Esperam-se os habituais avistamentos com a comunidade portuguesa e meia dúzia de queixas da "revolução Chávez". Entre croquetes, cavaquinhos e vinho do Porto (made in Venezuela), a insegurança e a ameaça das nacionalizações vão estar, com certeza, em cima das mesas que os nossos compatriotas prepararam para Sócrates. A carência de professores de português no país, também (pois, segundo o secretário de Estado da Cooperação João Cravinho, num extraordinário exercício de politiquês, em declarações à LUSA, " Portugal vive numa conjuntura de enormes oportunidades no que toca ao ensino da língua portuguesa e à promoção da língua portuguesa no estrangeiro, (mas) conjugada com a exiguidade de recursos"), mas os nossos irmãos das terras de Vera Cruz já se encarregaram de suprir as faltas, e já têm 5 leitores na Universidade da Venezuela. É que, para Lula da Silva, que, com o seu camarada Chávez, já assinou um protocolo para a promoção do ensino do português na Venezuela, o português não é só a língua que os actores de novela falam, é investimento estratégico. Enquanto para Sócrates, é preciso é cair nas boas graças do novo Simon Bolívar, nem que para isso tenha de fazer um curso intensivo de espanhol técnico - ou, num futuro que já foi mais longínquo, de brasileiro econômico.

segunda-feira, 12 de maio de 2008

Bem prega o cardeal Martins

Segundo o cardeal Saraiva Martins, o nosso homem nas altas esferas do Vaticano, vivemos numa "sociedade opulenta", "onde morrem milhões de irmãos à fome".
Ao ler tais declarações no DN de hoje, não pode deixar de me lembrar daquele dito popular, "bem prega frei Tomás, faz o que ele diz, não faças o que ele faz".
É inegável o papel social da Igreja. Quer se goste, quer não, toda a cultura europeia se radica no paradigma judaico-cristão. É inútil e intelectualmente desonesto repudiar tal realidade. Basta ir em excursão a Lourdes, em expedição a Santiago de Compostela ou em peregrinação a Fátima para, pê-lo menos, suspeitá-lo.
O problema é quando lemos que o Papa calça sapatos de € 300, quando testemunhamos as dezenas de quilates em ouro que, diariamente, são deixados em Fátima pelos peregrinos e ouvimos que o Patriarcado explora parques de estacionamentos em Lisboa e tem consultores fiscais e económicos como Lobo Xavier e Jardim Gonçalves.
Mas enfim, não sejamos demagógicos; conforme diz D. Saraiva Martins: " A Igreja faz o que pode e não pode ir mais além".

sábado, 10 de maio de 2008

Afinal (d) o Apito Final

E aí temos o último acto da opereta "Apito Final". Em jeito de crítica cultural diria que, para uma tão grande produção operática, o público merecia mais. O elenco era de primeira categoria - tenores e barítonos de nomeada, coro organizado -, mas foi sempre o maestro que sobressaiu. Foi uma opereta à portuguesa, muita promoção, grande elenco, libreto prometedor, mas, no fim, o protagonista foi o maestro - e o espectáculo foi um quase fiasco.

quarta-feira, 7 de maio de 2008

A Angola de Geldof

Bob Geldof, ex-músico inglês e actual organizador de mega-produções humanitárias, veio a Lisboa, a convite do Expresso, para dizer, numa conferência sobre "Desenvolvimento Sustentável", que Angola é um país "gerido por criminosos". Como era de prever, a embaixada angolana em Lisboa veio de imediato repudiar a afirmação de Geldof. E, a meu ver, com toda a razão.
De facto, a afirmação do cantor assenta numa série de equívocos e mistificações que é necessário dissipar. Pois vejamos:
1) Angola não é um país: é um talhão de África (politicamente) mal frequentado;
2) não é gerido, pois gerir significa administrar, governar, e, em Angola, governar é um verbo intransitivo conjugado na primeira pessoa por uma cáfila de singulares;
3) muito menos é gerido por criminosos, pois...ok, pronto, neste aspecto o homem têm razão.

Correcção: Alípio já caiu

Depois de ter escrito que Alípio Ribeiro lá se aguentara à frente da PJ, eis a queda. Juro que nada a tive a ver com a saída do Director da PJ. O mesmo não se poderá dizer do próprio, que parece tudo ter feito para cair.
Como habitual, há sempre quem venha dizer que se devem tirar ilacções do consulado de Alípio Ribeiro. Mas parece-me que são antes confirmações que se devem retirar. A confirmação de que um director da PJ deve guardar para consumo interno as ideias e opiniões que tem para e sobre a PJ. A confirmação de que a avaliação de condutas e procedimentos internos não se devem fazer frente às câmeras. A confirmação de que a PJ é, de facto, uma instituição corporativamente organizada - em que o sindicado é o interluctor mediático privilegiado. Mas, acima de tudo, a confirmação de que um ministro da Justiça que segura um director como Alípio Ribeiro não merece ser segurado.

quinta-feira, 1 de maio de 2008

Polícia por objectivos

Leio que caíram para metade as detenções efectuadas pela PJ. Se é resultado das alterações ao código de processo penal ou fruto do desânimo vivido pelos profissionais daquele órgão de polícia de criminal não se sabe e, ao que parece, também não se investiga. Alípio Ribeiro (é verdade, lá se aguentou) e o ministro Costa até quiseram pôr a PJ e o MP a trabalhar por objectivos, mas, quer uns, quer outros não se viam a prender e a acusar por atacado, e o plano parece que abortou. Aguardemos pelos próximos capítulos. Talvez a coisa se resolva com um sistema de prémios e incentivos!