quinta-feira, 10 de abril de 2008

Tele-funcionários

Segundo o Portugaldiário, o Regime do Contrato de Trabalho em Funções Públicas vai permitir aos funcionários públicos trabalhar a partir de casa, no quadro do vulgarmente designado tele-trabalho.
É uma boa notícia para os funcionários públicos. Designadamente para aqueles que já funcionavam em regime de tele-trabalho, no local de trabalho. É que, se já há funcionários que passam o dia na net, pelo menos, por via deste novo regime, permite-se que o façam com maior comodidade e descontração, agora de chinelos e roupão.
Mas também é uma boa notícia para os utentes dos serviços públicos. A avaliar por algumas carantonhas que ainda nos atendem por essa teia de serviços e repartições, com o tele-trabalho pode ser que inventem uma funcionária virtual que combine a simpatia da Sónia Araújo com a voz da Olga Cardoso.

terça-feira, 8 de abril de 2008

Novos mundos

Afinal, confirma-se: não estamos sózinhos no universo.
Um grupo de astrofísicos da universidade britânica de St. Andrews acaba de descobrir um sistema planetário muito semelhante ao nosso. Um dos investigadores, Martin Dominik, afirma mesmo que este "novo" sistema planetário - que dista de nós 5 mil anos-luz - poderá muito bem conter mundos habitáveis.
É sempre bom saber. Ao preço a que está a vida neste mundo, nada melhor do que saber que há outros por aí, (provavelmente) mais aprazíveis e melhor frequentados, e, certamente, muito menos tributados.

segunda-feira, 7 de abril de 2008

O fôlego de António Costa

"As minhas prioridades são as que constam do programa: as questões da habitação, da mobilidade, da qualidade do ambiente, a questão das escolas, as políticas relativas aos idosos."(...) "Primeiro, vamos fazer o "Simplis", que é um "simplex" para a cidade de Lisboa. Em segundo, aproveitar o quadro legislativo aprovado esta semana pelo Governo em matéria de ordenamento do território e de licenciamento, que ajudam à simplificação. Em terceiro, introduzir mecanismos de prevenção da corrupção, quer com códigos de conduta muito exigentes, quer com uma comissão de prevenção da corrupção que tenha independência funcional relativa à maioria da câmara. E que identifique as áreas mais críticas da câmara e adopte códigos de boas práticas."(...) "Tenciono ficar com os pelouros que dizem respeito à segurança, às actividades económicas e ao planeamento estratégico."
Cansado? Eu também, e isto são só exemplos (colhidos de uma entrevista dada, ao DN, pelo então candidato à Câmara de Lisboa) dos trabalhos que António Costa se propôs realizar em Lisboa, pois se formos rever as 61 páginas do seu programa eleitoral para Lisboa, ficamos extenuados.
Mas António Costa não. Não há crise financeira, nem caos urbanístico, nem desorganização administrativa, nem desânimo estrutural que esgote o fôlego do edil da nossa capital (até rima, como o fado da situação sugere) . De tal maneira que António Costa ainda encontrou alento (e espaço na agenda) para substituir um peso-pesado da vida pública, como Jorge Coelho, no programa Quadratura do Círculo.
Tempo e vontade são, de facto, conceitos elásticos para António Costa. Mas, presumo eu, o mesmo não sucederá com a sua saúde financeira...já para não falar da chatice que é um político profissional ter de andar sempre a fazer prova de vida.


Os patins de Paulo Portas

Paulo Portas declarou este fim-de-semana em Alcanena que, "a pé, de trotinete ou de carro" continuará "a defender os agricultores portugueses".
Conhecendo-se como se conhece a inteligência de Paulo Portas, suspeito que estas suas declarações, na sua aparente banalidade, contém um recado para aqueles que, integrados nessas novas "tendências" internas, começam agora a sair do armário.
Para mim, que não sou dado a "tendências", leio ali qualquer coisa do género: voçês bem me querem pôr uns patins, mas eu, daqui, nem a pé, nem de trotinete, nem de carro - nem que seja um Jaguar! ainda pra mais agora, que devem vir a tresandar a caril!

sexta-feira, 4 de abril de 2008

O canhão do PGR

Até aqui, tenho feito uma apreciação muito positiva da actuação do nosso PGR. A meu ver, o conselheiro Pinto Monteiro (a quem conheço a afabilidade e o rigor, pois foi meu professor de Teoria Geral do Direito Civil na universidade) tem conseguido dosear com particular acerto as exigências de sobriedade e clareza que há muito se desejam no Procurador-Geral da República. Destaco como traço caracterizador de um estilo o esforço (provavelmente aprendido na actividade docente) de falar claro de quem dispensa, a outras instâncias superiores, o jargão e os ademanes da praxe institucional.
Mas ontem, talvez traído por essa mesma auto-exigência de clareza discursiva, o PGR exagerou.
Refiro-me, evidentemente, às suas declarações à comunicação social, à saída da audiência com o nosso PR, a propósito da violência nas escolas.
Não sei até que ponto a especial atenção dedicada por Pinto Monteiro ao problema (porque o é, só que não o é de agora) da violência e impunidade na Escola tem contribuído para a clima de esquizofrenia colectiva que vivemos desde o caso do telemóvel, da aluna e da professora; mas sei que, se educadores, pais e alunos agradecem a atenção do PGR ao que acontece de criminalizável no ambiente escolar, também são esses mesmos educadores, pais e alunos que dispensam ouvir o PGR afirmar que há jovens de 6 anos que vão armados de pistolas 6,35mm e 9mm para a escola - e, algumas vezes, a conselho dos próprios pais! É que, se há pais para tudo, não há mochilas que comportem tudo! Pois alguém acredita que, depois dos 2 estojos para desenho, dos 4 manuais, dos 2 livros de exercícios, do caderno de linhas e do quadriculado ainda cabe um canhão 9mm? E não vale contra-argumentar com a resistência dos tróleis: pois nos tróleis ainda vai o saco com o equipamento de judo, o saco para a natação, o termo com o almoço (que ninguém quer que os putos comam as porcarias que se vendem e servem nas cantinas) e uma camisola extra, porque nos dias que correm, ora chove ora faz sol, e os putos andam sempre a fungar da rinite.

Os sintomas de Montalvão Machado

O deputado do PSD Montalvão Machado declarou hoje no Parlamento que a democracia portuguesa está em agonia.
Não sei o que este nosso deputado da república terá ingerido ultimamente, mas, contra a agonia, desde pequeno que ouço recomendar COMPENSAN, ou, mais caseiramente, chá de cidreira.
Mas afigura-se-me que, a atender às causas apresentadas pelo deputado para o mal-estar (a cultura de medo instalado pelo governo no país - em particular nas corporações profissionais dos médicos, juízes etc.), a agonia é mais um sintoma de uma das enfermidades psico-degenerativas que vêm afectando o seu partido nos últimos tempos. O que é compreensível nas instituições, tal como nas pessoas, vítimas de abandono e repúdio paterno. Pelo que, as declarações de Montalvão Machado não serão mais do que uma manifestação da fase de recusa e transfiguração da realidade a que o PSD se sujeita presentemente.
Assim, atrever-me-ia a sugerir ao senhor deputado que, não sendo a enfermidade de que padece o PSD de ordem estética (para infelicidade da Cunha Vaz & Associados), talvez valha a pena o seu partido recorrer a ajuda psiquiátrica, pois a acunpunctura auto-aplicada (a avaliar pelas constantes agulhadas dalguns curandeiros internos) não está, definitivamente, a resultar.

terça-feira, 1 de abril de 2008

A saga de Marinho

O meu ilustre colega e bastonário Marinho e Pinto não resiste. Desta feita, exigiu a sua consciência democrática que emprestasse a sua voz à causa (execrável, conforme disse) de Mário Machado, o líder skinhead preso preventivamente na zona prisional da PJ, sob acusação da prática crimes de discriminação racial.
Caro Doutor Marinho: que Mário Machado tenha sido vítima da abrupta entrada em vigor do C.P.P., que a reapreciação (repentina) da medida de coacção que lhe foi aplicada possa ter sido efectuada com alguma ligeireza e leviandade (por mor da paz social!) e que, estranhamente, segundo diz, o arguido nunca tenha recebido a correspondência que lhe era destinada, não sei - mas dou de barato. Até um advogado intermitente como este que aqui opina, já terá tido conhecimento de iniquidades idênticas. O que surpreende e, permita-me que lhe confesse, me suscita alguma comichão intelectual, é que o sôtor não chame também a atenção da TV para a situação concreta e, igualmente abjecta, de outros reclusos deste país. É que temo, sinceramente, enquanto advogado e cidadão, que as luzes das câmeras começem a ofuscar (e a trair) os horizontes institucionais que lhe incumbe prosseguir. É que a luzes mediáticas têm por vício e virtude transformar (e deformar) os objectos sobre que incidem.